Entrevista com Valnei Vargas Origuela, diretor-presidente da Anaconda, conta a história de mais de 60 anos

Criada nos anos 1950 em São Paulo, a Anaconda rapidamente ganhou uma filial em Curitiba, construída já pensando na expansão da unidade e com foco no forte mercado do trigo no Paraná. A decisão foi acertada: os produtos da marca não apenas conquistaram o consumidor local, como também foram com ele Brasil afora.


Unidade de Curitiba

É o caso de paranaenses que expandiram suas atividades para o Centro-Oeste e o Norte do país, e, lá chegando, procuraram pelos produtos com que estavam acostumados. Dessa forma, a Anaconda encontrou a oportunidade de alcançar novos mercados, graças à fidelidade de seu consumidor. O diretor-presidente do grupo, Valnei Vargas Origuela falou sobre esse e outros temas em entrevista à Trigo em Foco:

Trigo em Foco – A Anaconda já viveu mais de meio século de transformações do mercado. Como resume essa trajetória?

Valnei Origuela – O fundador João Martins, imigrante português, começou trabalhando com atacados em que a farinha era muito importante. Acabou se associando a uma unidade de moagem em São Paulo e, muito rapidamente, adquiriu a totalidade da empresa. Ainda nos anos 1950, construiu a unidade de Curitiba, já com um layout pensado para a expansão. Hoje, a empresa permanece na mesma família, já na terceira geração, com uma gestão totalmente profissionalizada, conselho de administração e produz cerca de mil toneladas/dia em cada uma das suas unidades. Possui seis centros de distribuição instalados no interior do estado de São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina.

Trigo em Foco – Por que o Paraná foi identificado como um mercado promissor?

Valnei Origuela – Na época, nos anos 1950, o mercado do Paraná já era importante e o consumo de trigo estava em alta. Havia uma cultura forte de fazer pão em casa, algo que o setor de trigo sempre acreditou que fosse acabar, mas que continua muito presente, principalmente no Paraná. Em São Paulo vende-se pouca farinha para varejo, não tem isso que vocês têm, de vender pacotes de 5kg para donas de casa. Além disso, o paranaense é muito fiel com a marca. Por exemplo, vendemos farinha para o Acre só porque os paranaenses que se mudaram para lá, queriam o mesmo produto que estavam acostumados. O mesmo ocorreu no Centro-Oeste. Sempre trabalhamos com foco no atendimento das demandas dos nossos clientes e isso fortaleceu essa relação de confiança. Valeu a pena!

Trigo em Foco – Como a Anaconda tem enfrentado os novos hábitos alimentares da sociedade?

Valnei Origuela – Em relação à doença celíaca e às alergias ao trigo, é nosso papel ter muito cuidado com as embalagens, destacando a presença de glúten. Quanto aos modismos alimentares, é nossa tarefa corrigir a desinformação, que pode resultar em atropelos. Por exemplo, há uma tendência de se achar que o trigo engorda, quando não é exatamente isso: ele é um carboidrato de baixo índice glicêmico. Se a pessoa substituir essa fonte energética por outras, o “tiro pode sair pela culatra”. Temos bons nutrólogos e nutricionistas para orientar quanto a isso.

Trigo em Foco – E o mercado gourmet?

Valnei Origuela – A farinha tem uma aplicação gourmet muito vasta, está presente em praticamente todas as mesas, porque é um produto saudável. Nossa farinha para pizzas de fermentação longa, por exemplo, foi desenvolvida com muito olho no que se faz na Itália. Esse produto, além de melhorar sabor e digestibilidade, possibilita a adoção de um processo que diminui perdas na pizzaria. Temos também muita vaidade da nossa farinha integral, que difere de outras feitas com recomposição da farinha, farelo e gérmen. A nossa é obtida em moinhos de pedra que adquirimos, onde fazemos a moagem em processo único que garante, de fato, a presença de todas as partes e nutrientes do grão inteiro. E temos ainda as farinhas tipificadas, feitas para um consumidor específico. Vamos até a casa do cliente, ele testa o produto, e, se precisar, ajustamos e mandamos nova amostra. Depois, esse cliente passa a ter um código que pertence só a ele. Conseguimos isso graças a um aparato tecnológico importante, caro, mas que permite trabalhar bem.

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Unidade de São Paulo

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