* Roberto Sandoli

A quebra da safra 2018/19 em importantes exportadores como Rússia, União Europeia e Austrália em virtude da seca deu suporte a Chicago nos últimos meses, com a menor oferta nessas regiões, favorecendo as perspectivas de melhora nas exportações do cereal dos EUA. Além do cenário negativo já observado nessas regiões, o início do plantio do próximo ciclo 2019/20 também tem sido impactado pela falta de chuvas, especialmente na Europa. Como a tabela 1 aponta, o plantio de trigo de inverno na União Europeia e no Mar Negro se concentra entre os meses de setembro e novembro, logo após a colheita.

Os mapas climáticos indicam que, nos últimos 30 e 60 dias, tanto França e Alemanha (principais produtores de trigo da União Europeia) quanto Rússia e Ucrânia (principais produtores de trigo do Mar Negro) receberam precipitação acumulada abaixo da média, o que favoreceu o avanço da colheita do ciclo 2018/19. Porém, isso prejudica a implementação da safra 2019/20. Em algumas regiões, já houve considerável instalação de neve sobre as lavouras de trigo. Contudo, as áreas da Europa começarão a entrar em hibernação com maior intensidade nas próximas semanas.

É importante observar que o trigo do hemisfério norte atinge suas fases mais críticas de desenvolvimento na primavera, após o derretimento da camada de neve que está se formando atualmente.

Caso a espessura da neve e as chuvas na primavera favoreçam o desenvolvimento das lavouras entre março e abril do ano que vem, o atual déficit hídrico observado deverá ter pouco impacto sobre a produtividade final da safra 2018/19 na Europa.

Safra brasileira encerrada

Safra nacional chega ao fim com resultados abaixo do esperado. No Paraná houve seca e geadas nos períodos de plantio e desenvolvimento da lavoura, impactando em diferentes fases da cultura; e várias regiões tiveram a colheita chuvosa.

De uma produção inicialmente estimadas em mais de 3,2 milhões de toneladas (MT) hoje temos números variando de 2,5 a 2,9 MT de produção. Algumas estimativas de mercado apostam que apenas 40-45% desse volume tenha qualidade industrial (as principais reclamações são os níveis de DON, baixo PH e FN, além de cor escura).

No Rio Grande do Sul não foi muito diferente: foram relatados números do nível de DON bem acima do Paraná em várias regiões, além de também baixo PH e Falling Number. No Rio Grande do Sul, a estimativa de produção é de aproximadamente 1,8 MT e provavelmente apenas 50% desse volume terá qualidade moageira.

No âmbito nacional, a produção deverá fechar perto de 5 MT, mas a grande questão é o volume que atenderá a demanda de qualidade industrial. Dessa forma, os moinhos já estão antecipando importações para garantir qualidade. A necessidade de importação deve ser de 7 MT neste ciclo, aproximadamente.

Safra argentina com colheita atrasada

A bolsa de Rosário relatou um ajuste para baixo em suas estimativas de produção de trigo argentino 2018/19 de 19 MTM para 18,7 MTM, devido às chuvas recentes. Enquanto isso, a Bolsa de Valores de Buenos Aires reduziu sua estimativa de produção de 19,2 MT para 19,4 MT, e o governo argentino estima safra em 19,7 MT. A colheita argentina se encontra em 21,6%, com rendimento médio de 2,08 t/hectare, segundo a bolsa de Buenos Aires.

Câmbio

Para o ano de 2019, é prudente considerar o apetite aos riscos nas economias emergentes e o câmbio que será mais sensível a esse fator. O câmbio no ano de 2018 oscilou muito, refletindo incertezas sobre aprovação das reformas econômicas no Congresso Nacional e incertezas referente a negociações internacionais. Dessa forma, sendo uma variável bem complexa, exige-se precaução dos agentes econômicos e dos condutores das políticas econômicas para não abrir margem ao aumento do balanço do risco, atuando com cautela em relação à conjuntura internacional por ser um fator alheio ao controle do governo brasileiro.

Por outro lado, o novo governo poderia, com sua nova equipe econômica, aliviar as tensões cambiais atraindo investidores, o que poderia balancear essa conta e manter o câmbio em uma banda mais favorável e incentivar o crescimento interno, gerando mais empregos e, consequentemente, maior consumo.

A transição do novo governo está caminhando muito bem e o mercado está vendo isso de uma forma muito positiva, passando um sentimento para o empresariado de um 2019 favorável para o consumo. A demanda por parte do consumidor também tende a melhorar, permitindo programar mais investimentos no país, ou seja, 2019 está com ótimas perspectivas para vários setores.

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