Acir Martins da Silva, gerente da Moageira Irati, explica o processo de seleção das variedades de trigo para melhor atender todos os clientes

Fundada em 1949 pelo sócio-proprietário Carlos Koch, o então Moinho Sul Paranaense tornou-se uma sociedade empresarial com o convite à adesão de vários empresários da região de Irati. Em 1995, Marcelo Vosnika e seus irmãos assumiram a empresa, com foco claro e visão na cadeia produtiva.

Hoje com 120 colaboradores, a atual S.A. Moageira e Agrícola (Moageira Irati) trabalha com originação e segregação de trigo ajustadas para atender as necessidades do mercado e do produtor.

Nesta entrevista à Trigo em Foco, o gerente da Moageira Irati Acir Martins da Silva explica como isso funciona na prática e destaca as particularidades da safra 2018/2019.

Trigo em Foco – A originação é um dos pontos fortes da Moageira Irati. Poderia explicar como funciona?

Acir Martins da Silva – Esse é um trabalho baseado na busca de produtos específicos para cada uso. Em meados da década de 1990, quase todo o trigo utilizado era importado, e isso fazia a empresa perder rentabilidade. O ideal é originar o trigo na região, e esse trabalho foi iniciado em 1995, quando a empresa fazia originação de apenas 6 mil toneladas de trigo por ano. Hoje, já passa de 100 mil toneladas/ano de produto originado na região, para dar uma ideia da evolução.

Trigo em Foco – Na prática, como é planejada a originação?

Acir Martins da Silva – Para implementar a originação, passamos aos produtores as necessidades do moinho, ou seja: não é plantado qualquer trigo. Solicitamos a variedade específica para atender o cliente lá na frente. Por exemplo, se o cliente precisa de trigo para pão, os produtores plantam essa variedade para atender as panificadoras lá na frente. O mesmo para as indústrias de biscoitos e de massas. A originação vem desde a semente, e o produtor faz o plantio pensando no que o moinho precisa.

Trigo em Foco – Quais os benefícios de realizar a originação?

Acir Martins da Silva – O processo bem feito irá beneficiar toda a cadeia, desde o produtor de semente. Ele sabe de antemão o que precisa plantar, e ainda tem a liquidez garantida pela Moageira, independentemente de como está o mercado. Outro beneficiado é o moinho, que tem o produto de que precisa para atender seus clientes. Na outra ponta, a dona de casa prepara pães e bolos melhores, as panificadoras e indústrias fazem seus produtos específicos, massas, pães congelados, entre outros.

Trigo em Foco – Depois disso, a segregação é a segunda etapa. Como funciona?

Acir Martins da Silva – Não adianta fazer todo o trabalho de originação, preparar trigos diferentes se, na sequência, você vai misturá-los. Para separar uma variedade da outra é necessário fazer a segregação. Para isso, a Moageira Irati possui dois armazéns, um em Irati, outro em Ipiranga, e mais dez armazéns parceiros para receber esse trigo e separá-lo adequadamente. A segregação nada mais é do que a cereja do bolo, para se ter um produto que satisfaça toda a cadeia.

Trigo em Foco – Como a Irati tem vivenciado o atual momento do mercado?

Acir Martins da Silva – Tivemos um ano muito difícil, com seca no começo da implantação da cultura e depois chuvas na colheita. Com isso, tivemos a perda de grande quantidade de produto. Na qualidade, não perdemos muito, pois fomos buscar o produto também fora da região e até do país, em detrimento do custo, que acabou subindo. É preciso garantir a qualidade do produto, pois os programas de qualidade e segurança alimentar em que estamos inseridos são muito importantes e devem ser respeitados.

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