Paraná moeu 3,47 milhões de toneladas ano passado, respondendo por 28,5% da produção nacional

A moagem de trigo no Brasil cresceu 3,4% em 2018 na comparação com o ano anterior, alcançando 12,17 milhões de toneladas. Segundo dados da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), o Paraná, sozinho, respondeu por 28,5% do processamento, com 3,47 milhões de toneladas. Em 2017, os moinhos do Estado moeram 3,07 milhões de toneladas.

Na avaliação do presidente do Sinditrigo, Daniel Kümmel, essa expansão mostra que a economia está em aquecimento, já que a farinha de trigo é um produto de base para outros, como pães, biscoitos e massas. Ele destaca o protagonismo da indústria paranaense em nível nacional, lembrando que mais de 50% da nossa produção de farinha são comercializados para empresas de outros estados.

O Paraná é o maior parque moageiro do país, com 67 moinhos que se dividem em três polos nas regiões norte, sul e leste. Em todas as regiões produtoras há moinhos para absorver a safra, sejam eles privados, de cooperativas ou multinacionais. Hoje, o Estado mói trigo para diversas finalidades, tanto para indústria de transformação como para padarias e confeitarias. “Moemos 3,47 milhões de toneladas e ainda temos um parque com ociosidade média de 25%. Temos capacidade de crescimento e competitividade”, afirma Kümmel.

 

O que esperar de 2019

A expectativa é que 2019 seja um ano de consolidação, com o setor acompanhando diretamente o aquecimento da economia. “Com mais poder de consumo, os brasileiros buscam produtos de maior valor agregado em derivados de farinhas de trigo. Vão às padarias e compram não somente o pão francês, mas também pães mais elaborados, integrais e produtos de confeitaria. O mesmo acontece no supermercado, com massas sêmola, integrais e biscoitos variados que apresentam novas formas de experiências de consumo”, contextualiza.

 

Cota de importação

Sobre a criação da cota de importação de 750 mil toneladas sem impostos para países de fora do Mercosul, anunciada durante a recente visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, o presidente do Sinditrigo lembra que tal cota na realidade é um acordo feito na rodada do Uruguai nos anos 1990 que o Brasil não tinha colocado em prática. “Nós, moageiros, não participamos desta decisão, que foi tomada diretamente pelo governo Bolsonaro. As regras não foram lançadas, mas vejo que, sendo um governo com direção liberal, não fará muitas exigências de cotas por moinho, região e datas de entrada. Na questão do preço do trigo paranaense, o efeito será pelas paridades de preço de concorrência do trigo argentino e de outros países que consigam vender dentro da cota de 750 mil toneladas”, estima Kümmel. Ele completa ainda que, em termos de competitividade e fretes, tanto o trigo argentino quanto o paraguaio serão concorrentes em valor do trigo nacional.

 

Política Nacional do Trigo

A necessidade de o país adotar uma Política Nacional do Trigo – já apresentada pela Abitrigo ao governo Bolsonaro – também é posição defendida pelo Sinditrigo PR. O plano traz ações que viabilizam a competitividade no comércio do trigo e seus derivados, destacando a revisão de incentivos fiscais e isonomia tributária na cadeia produtiva. A exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, o projeto prevê ainda a regionalização e especialização da produção.
“Somos totalmente favoráveis a essa política. Temos um vasto país produtivo em grãos e a tecnologia embarcada no trigo nacional é impressionante. Já existem variedades que estão adaptadas para todo o produtivo território nacional, com altíssimo padrão industrial e que competem com grande parte das variedades disponíveis no mundo”, finaliza o presidente Daniel Kümmel.

 

Por Cristina Luchini – Jornalista

http://sinditrigopr.com.br