Quando o consumidor escolhe uma farinha na gôndola do mercado, um pão, biscoito ou mesmo um macarrão para preparar aquele almoço gostoso de domingo, não tem ideia de todo o processo existente por trás para que se possa levar para casa um produto com a qualidade que procura.

Para produzir a farinha de trigo – ingrediente principal para a elaboração dos produtos da indústria alimentícia – é necessário um processo complexo de pesquisa e também de produção. A qualidade dos produtos que chega à mesa do consumidor depende, e muito, da qualidade do trigo semeado, por exemplo. São muitas as características que são avaliadas dentro de laboratórios de pesquisa e o consumidor é peça-chave nesse processo.

Kênia Meneguzzi, supervisora de qualidade industrial da Biotrigo Genética, empresa focada em melhoramento genético de trigo, com sede no Rio Grande do Sul, explica o papel do consumidor: “Os consumidores do Brasil têm exigências muito particulares e que mudam de região para região, seja no volume do pão, na cor da crosta e na preferência por farinhas mais brancas, como acontece também em Portugal. Essa demanda, por exemplo, cria um nicho de mercado para o trigo branqueador”, cita.
Em função das diferentes demandas e necessidades do mercado, a Biotrigo constantemente comunica-se com a indústria moageira e consumidores através de eventos do setor (congressos, feiras, projetos) e, considerando diferentes mercados, incluindo os internacionais, o setor de qualidade começa a antever as tendências. “É um trabalho extremamente necessário para identificarmos o que o consumidor desejará nos próximos anos, já que o desenvolvimento de uma nova cultivar leva em média 10 anos entre os processos de melhoramento genético e testes de aptidão até estar comercialmente disponível no mercado”, reforça Kênia.

Além dos trigos destinados à moagem, existem outros projetos que seguem em paralelo dentro dos programas de pesquisa da empresa, como os trigos destinados a alimentação animal (pastejo e silagem) e também os trigos para malte. “Percebemos que as cervejarias artesanais representavam um grande potencial, pois é um setor que cresceu 35% no último ano. De olho nesse mercado, iniciamos o desenvolvimento de uma nova cultivar de trigo específica para o mercado de malte, que deve estar pronta para plantio em larga escala nos próximos dois ou três anos”, relata.

Outros exemplos de tendência de mercado citados por Kênia são os pães artesanais – que trabalham com produtos específicos com apelo em saudabilidade e sabor – e as indústrias de pastifício, já que não existe ainda produção no Brasil do trigo Durum que gera a sêmola para produção de massas. “10% do consumo nacional de trigo é de massas e por isso estamos trabalhando no desenvolvimento de linhagens que entreguem ao mercado uma farinha mais amarela, com força e tenacidade para atender a esse mercado”, complementa.

Um importante processo realizado para garantir que o consumidor tenha produtos que atendam às suas exigências de qualidade é o envio das cultivares ainda em desenvolvimento para realização de testes nos moinhos. “Recebendo o feedback positivo da indústria moageira, a Biotrigo dá sequência ao processo, lançando a nova cultivar no mercado. Porém, caso o feedback seja negativo, aquela linhagem é excluída do programa de melhoramento. Lembrando que os testes internos iniciam 6 anos antes de seu lançamento comercial”, ressalta.

“Nosso trabalho busca identificar as características adequadas da farinha para pães, massas e biscoitos e, por isso, nossos testes identificam se essas novas cultivares vão entregar realmente a performance esperada pelo consumidor, afinal todos queremos adquirir biscoitos mais crocantes, sem unidades quebradas no pacote; pães de forma mais macios e com miolo branquinho e o pão francês mais craquelado. A gente busca atender essas exigências do consumidor desde o lançamento de uma nova cultivar para trazer mais segurança tanto para quem produz – moinhos e as indústrias – como para o consumidor – que busca qualidade no produto final”, conclui Kênia.

 

Sobre a Biotrigo
A Biotrigo Genética foi fundada em 2008 e tem como objetivo fortalecer a cadeia tritícola brasileira e da América Latina. Possui em torno de 15 cultivares no mercado, semeadas nos Estados do Sul e Sudeste do Brasil, Goiás, Distrito Federal e Bahia. Também possui cultivares no Uruguai, Paraguai, Argentina, Bolívia, Estados Unidos e Canadá.