O ano de 2019 caminha para o fim e o Brasil praticamente fechou a colheita de trigo, mantendo sua média histórica de produção. Os últimos dados divulgados pela Conab apontam um total de 5.277,7 milhões de toneladas colhidas no país, com Paraná e Rio Grande do Sul, que são os maiores produtores, praticamente empatados: 2.252,2 milhões e 2.207,7 milhões, respectivamente.

De acordo com dados da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, no Paraná a quebra de quase 800 mil toneladas se deu devido à geada no meio da safra, seguida de seca. A qualidade, no entanto, está muito boa. No Rio Grande do Sul, a colheita correu muito bem até o final, tanto que a estimativa de colher 1.879,4 milhões de toneladas em março deste ano subiu para 2.207,7 milhões de toneladas em novembro. E só não foi melhor, segundo a BCML devido às chuvas registradas na reta final.

Apesar de a safra no Brasil ter tido uma pequena queda em relação ao que era esperado no início do ano (5.631 milhões de toneladas) e também ter havido uma queda na safra esperada da Argentina (de 21 milhões para 19 milhões de toneladas), esses fatores não deverão impactar o setor moageiro em 2020 na avaliação dos especialistas da Bolsa londrinense.

O que provoca um cenário de incertezas, dizem eles, é o câmbio. O setor econômico esperava o dólar abaixo de R$ 4,00 para este final de ano e está em R$ 4,20, impulsionado pela briga do presidente dos EUA, Donald Trump, com a China. E sem perspectivas de se chegar ao fim. Como dizem os corretores da BCML, “compra-se o trigo em dólar e vende-se a farinha em reais. O ajuste não é fácil”.