O ano de 2020 começa com algumas preocupações no parque moageiro do Paraná.

A safra de trigo, embora não tenha números ainda fechados, aponta para uma queda de um milhão de tonelada em virtude da seca registrada no Norte e da geada no Oeste do Estado, duas regiões produtoras de trigo importantes no Paraná. A safra 2019/2020 deverá ser fechada em aproximadamente 2,4 milhões de toneladas.
“Em virtude da relação consumo/produção, e em relação a anos anteriores, este ano teremos desequilíbrio”, observa Rui Souza, gerente de Suplemente do Moinho Globo, localizado em Sertanópolis, norte do Estado. A saída será aumentar a importação de trigo, o que acaba sendo preocupante num momento em que o dólar está acima de R$ 4,00.

Souza comenta que a importação em si não é problema, uma vez que a safra da Argentina é suficiente para o mercado interno argentino e para abastecer o mercado brasileiro. Mas o preço será salgado para a indústria e, bastante provável, a conta também chegará ao consumidor final. Já o produtor será penalizado com o aumento no custo de sementes para a próxima safra, que começa a ser plantada em abril.

Pragas pós-colheita

Outra questão que atinge o parque moageiro do Estado no momento são as pragas pós-colheita, devido à umidade e forte calor. Souza descreve que o aumento de temperatura e a necessidade de cuidados com a sanitização dos silos têm que ser redobradas, com tratamento com inseticidas residuais e inseticidas de fumigação. “Embora não faça mal à saúde humana, a presença de insetos deprecia o produto e prejudica a marca”, esclarece.
Para evitar problemas, é necessário que os armazéns redobrem os cuidados com limpeza, mantendo todo o espaço livre de resíduos e de sacarias velhas, que é onde os insetos se alojam.
“Os caminhões que chegarem no moinho com presença de insetos serão recusados. É claro que isso impacta no preço do frete e causa um estresse comercial. Por isso é preciso muita atenção. A prevenção do inseto é o melhor remédio, com limpeza e uso de produtos adequados”, alerta Rui Souza.