A indústria moageira, que vem amargando dias ruins devido à alta do dólar, quebra da safra brasileira, retenciones argentinas e outros acontecimentos que afetam a economia de forma geral, deve se preparar para mais um período nebuloso. O setor vem sofrendo fortes impactos com os fatos que vêm ocorrendo. O preço da tonelada do trigo já bate nos 40% de aumento. “Todos os moinhos terão que repassar a alta para os produtos, que irá refletir no consumidor”, informa o presidente do Sinditrigo-PR, Daniel Kümmel.

De acordo com o analista da T&F Consultoria Agroeconômica, Luiz Carlos Pacheco, os  moinhos paranaenses independentes estão abastecidos até o final deste mês ou meados de abril. “Mas os preços da matéria-prima saltaram dos R$750/t do inicio da safra para os atuais R$ 1.050,00. Este valor não é remunerado pelos preços das farinhas, existindo uma defasagem aproximada de 17%. E esta situação tende a piorar porque a safra local praticamente acabou”, alerta ele.

Pacheco informa que daqui pra frente, entre maio e setembro, os preços do trigo serão os dos importados, ao redor de R$ 1.200/t. E adianta que para a safra nova os preços futuros já estão  R$ 900,00 seco e limpo no moinho, que daria algo ao redor de R$ 54,00/saca para o agricultor. “Um excelente preço, que proporciona ao agricultor um lucro ao redor de 11%, algo inédito”, analisa.

Ele lembra, no entanto, que a situação dos moinhos não é favorável. “A indústria moageira precisaria de um aumento ao redor de 17% para as farinhas. Mas, os moinhos de outros estados vendem mais barato, sem aumento, realimentando os compradores que, assim, ficam fora de mercado e oferecem preços menores pelas farinhas por mais tempo”, comenta.

O presidente do Sinditrigo-PR, Daniel Kümmel, destaca que os maiores impactos para o setor são, realmente, a alta do dólar, a quebra da safra e as políticas de exportação da Argentina. Também causa apreensão a suspensão de registros de exportações agrícolas pelo Ministério da Agricultura da Argentina. Caso o país vizinho deixe de exportar trigo, o Brasil ficará sem o produto argentino até o final do ano e a safra brasileira só começa a chegar nos moinhos em meados do segundo semestre.