O tempo seco no período de plantio do trigo na região Norte do Paraná está colocando algumas moageiras em alerta. Num período de dólar alto, trigo da safra passada chegando ao fim e pandemia, o que o parque moageiro não precisa é de mais uma perspectiva ruim. Mas, por enquanto, não há motivos para preocupação, informa o  agrônomo especialista em trigo do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Carlos Hugo Godinho.

Segundo ele, até o final de abril haviam sido plantadas apenas 7% da área prevista para o trigo, de um total de 1,080 milhão de hectares. Os 7% plantados estão, em sua maioria, na região Norte do Paraná. “Estamos atrasados sim, mas nem tanto”, afirma, completando que o ideal é plantar até o final de maio.

Área maior

A expectativa do Deral é de que a área para o trigo, este ano, seja 5% maior que a safra passada. A previsão está sustentada em dois fatores. O primeiro foi o atraso no plantio da soja em função da seca, empurrando a colheita da cultura mais para frente e impossibilitando a entrada na área de milho safrinha, especialmente no Norte, Oeste e Sul do Estado. A segunda questão é que os preços do trigo continuam em alta, podendo bater o maior valor nominal na história do trigo, segundo Godinho.

O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Antonio Sampaio, produtor de trigo, lembra que a situação do Paraná é bem melhor do que a do Rio Grande do Sul. “Mas a última chuva na nossa região (Norte do Paraná) foi em meados de março e mesmo assim foi pouca”, comenta. Ele observa que, “para piorar,  a previsão é de pouca chuva” para o período. Sampaio menciona ainda que o atraso no plantio do trigo pode comprometer a ”qualidade do produto e muitas vezes aniquilar a produção.”

Incertezas

O gerente de Suplementos do Moinho Globo, Rui Souza, admite que o clima preocupa. “A janela para o plantio começou em 1º de abril e as condições climáticas não são as normais comparadas às de outros anos. Está faltando chuva para o término da semeadura e desenvolvimento das lavouras já plantadas. No oeste do Estado também não está chovendo”, comenta. Para ele, a atual crise de abastecimento, prevista para durar até novembro, pode se prolongar se o tempo não mudar.

“Pode faltar trigo para quem não fez ainda as importações. Os moinhos localizados no litoral, próximo a portos, estão numa situação menos preocupante”, diz. Para enfrentar o período, o moinho vem comprando as ofertas consideradas interessantes e também conta com alguns contratos futuros.