Reunidos numa recente videoconferência realizada pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), produtores e representantes da cadeia do trigo analisaram a evolução da safra brasileira  e tiveram também um panorama do plantio e expectativa de colheita nos vizinhos Paraguai e Uruguai. O presidente do Sinditrigo-PR, Daniel Kümmel, foi o mediador do painel Safra 2020/2021 e falou da preocupação do setor, pois o momento é de uma entressafra com pouco trigo e preços históricos estabilizados num patamar alto. Por outro lado, destacou o presidente da entidade, as expectativas da safra 2020/2021 no Paraná são muito boas.

O trigo paranaense representa entre 50% e 55% da safra nacional. Segundo o gerente Técnico e Econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, que participou do painel,  houve um atraso no plantio por falta de chuva, mas que não deve comprometer a safra. Se tudo correr bem e o clima colaborar, o Estado deverá colher 3,5 milhões de toneladas de trigo. Na 2019/2020, fatores climáticos derrubaram a colheita para 2,2 milhões de toneladas, quando eram esperados 3,4 milhões. Ele ressaltou que o Paraná aumentou a área plantada, este ano, em cerca de 6%.

Representando o Cerrado, Eduardo Elias Abrahim, presidente da Associação dos Triticultores do Estado de Minas Gerais (ATRIEMG), destacou as boas condições climáticas na região, que poderão ajudar nos números positivos esperados para a safra do trigo, que pode chegar a 100 mil toneladas.

O Rio Grande do Sul foi representado pelo analista de mercado da Serra Morena Commodities, Walter Von Mühlen. Ele disse que o Estado registrou condições climáticas favoráveis ao plantio do trigo, com a presença de chuvas e espera colher 2 milhões de toneladas, uma safra boa em qualidade e rendimento.

Também participaram representantes do Uruguai e do Paraguai, que destacaram a importância do Brasil como destino de suas exportações de trigo e o trabalho contínuo junto aos produtores para melhorar a qualidade e a produtividade do grão.

Ruben Zoz, da Unicoop Paraguai, informou que o país espera colher uma safra de aproximadamente 1,1 mil toneladas de trigo. Já o Uruguai, que foi representado por Catalina Rava, da MGA, espera um total de 736 mil toneladas.

Política pública para o setor

A videoconferência foi aberta pelo presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, que apresentou alguns pontos da Política Nacional do Trigo, desenvolvida e apresentada ao Governo Federal pela entidade, em 2018.

Barbosa explicou que a ideia, com o Plano Nacional, foi submeter ao governo uma proposta integrada que passa por seis eixos: ambiente legal de negócios; ampliação, diversificação e foco; incentivos fiscais;  ambiente de negócios; comércio internacional; e logística e infraestrutura. O desenvolvimento do Plano envolve seis ministérios.

“O plano não foi analisado inteiramente, mas muitas dessas propostas estão avançando; algumas integralmente outras parcialmente; e outras não atendidas ainda”, comentou. Alguns pontos que avançaram são na implementação de boas práticas regulatórias; desburocratização em algumas áreas; definição de critérios para isenção da Tarifa Externa Comum; e um dos pontos mais importantes que é o  esforço de diversificação das áreas e variedades de sementes de trigo, num trabalho realizado pela Embrapa.

Ele também evidenciou alguns que pontos que demandam mais atenção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), como facilitar a convergência regulatória internacional; atualizar o regulamento técnico de classificação do trigo; reavaliar a gestão de recursos humanos nos serviços oficiais; fomentar a regionalização e especialização da produção, entre outros.