O Brasil recebeu, na última semana, a notícia de que o trigo plantado numa área experimental do Ceará, com o apoio da Embrapa, teve boa produtividade. Expandir as fronteiras agrícolas do trigo no país é uma bandeira da cadeia nacional, visando reduzir a dependência das importações – este é o único grão que o país ainda precisa buscar em lavouras internacionais.

A primeira colheita de trigo no Ceará foi possível graças a uma parceria entre a iniciativa privada e a Embrapa. O plantio, ainda em fase experimental, produziu a colheita de aproximadamente 9 toneladas de trigo, o que representa uma produtividade de 1,6 toneladas por hectare na primeira colheita. A iniciativa gerou resultado surpreendente em tempo recorde para o agronegócio do estado, já que era improvável que o cereal crescesse em solo cearense.

Para o engenheiro agrônomo especialista em trigo do Deral – Departamento de Economia Rural da Seab-PR,  Carlos Hugo Godinho, trata-se de um projeto que merece apoio, uma vez que boa parte da demanda de trigo no Brasil está no litoral nordestino. “Se tivermos uma produção naquela região vai ajudar bastante a reduzir a importação”, comenta.

Ele lembra que o plantio ainda é experimental, “mas se conseguirem produzir em grande escala, será uma boa alternativa para o país, porque a produção, hoje, é concentrada no período da safra e no sul do Brasil”.

Ciclo curto

Uma das vantagens da produção cearense foi o tempo curto entre o plantio e a colheita. O ciclo de produção no Ceará teve uma duração de apenas 75 dias.

A Embrapa Trigo, Embrapa Agroindústria Tropical e o Instituto Federal do Ceará realizaram os primeiros experimentos de cultivo no Ceará em 2019 para analisar a viabilidade de produção do cereal no Estado, considerando as condições de solo e clima.

A pesquisa realizou os primeiros experimentos com quatro variedades de cultivares – BRS264, BRS254, BRS404 e BR18 – para analisar a época mais adequada para semeadura, comportamento das cultivares, o ciclo e incidências de doenças e pragas.

“O resultado foi muito promissor, o que deu um grande ânimo à Embrapa porque vemos que os estados do Nordeste, que têm altitude acima de 600 metros como o Piauí, Ceará, Alagoas e outras partes dessa região, apresentam boa aptidão e têm condições de luminosidade e de temperatura que atendem à demanda da produção de trigo”, comentou Osvaldo Vasconcellos, chefe-geral da Embrapa Trigo.

Hoje, o Nordeste importa quase 100% do trigo que consome, proveniente da Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá e Rússia, além de importar de outras regiões do Brasil. Com os resultados positivos obtidos no Ceará, o Brasil pode equilibrar a balança comercial em trigo, acrescenta ele.

Alagoas e Sergipe

O consultor Luiz Carlos Pacheco, analista da T&F Agronômica, também repercute o plantio no Ceará e acrescenta que, embora não tenhamos todos os detalhes ainda, a Embrapa, através dos engenheiros agrônomos Antônio Santiago e Gleiton Medeiros, está fazendo experimentos de plantio de trigo nos estados de Alagoas e Sergipe.

“Em Alagoas os experimentos estão se desenvolvendo no município de Limoeiro de Anadia e em Sergipe no município de Carira”, informa ele.