A produção de trigo argentino não deverá atingir as previsões iniciais, de 21 milhões de toneladas. Até o momento, estima-se que o país vizinho, de onde o Brasil busca uma parcela considerável do grão para atender sua demanda interna, colha em torno de 16,7 milhões de toneladas. A Argentina sofre com a seca.

De acordo com a T& F Consultoria Agroeconômica, a expectativa de produção  está em 16,7 milhões/t  (Bolsa de Rosário) ou 16,8 milhões/t (Bolsa de Buenos Aires). “No ano passado, nesta época, os exportadores já tinham comprado 7,4 MT dos produtores e, neste ano, apenas 4,5 MT porque temem a forte concorrência da Austrália junto aos países do Sudoeste da Ásia, que a Argentina tinha conquistado nos dois últimos anos, quando o trigo australiano perdeu mais de 10 MT/ano”, diz a consultoria.

Até o momento, o país colheu 15,5% na média do país. Embora a situação faça com que as moageiras do Brasil acendam o alerta, a consultoria considera que não há motivo para preocupação. Na análise da T& F Agroeconômica, o Brasil é a melhor alternativa para a Argentina. “O país reservou umas 6,0 MT para os moinhos brasileiros, mas que , no entanto, podem comprar cerca de mais 1,7 MT para atender às suas necessidades, porque nossa safra é menor do que se esperava também e o trigo americano é muito caro”, diz o analista Luiz Carlos Pacheco.

O consultor reforça que os preços argentinos não estão competitivos no resto do mundo, o que poderia incentivar a venda de mais trigo para o Brasil.

Por enquanto, as moageiras acompanham o cenário com atenção. Jean Vinicius Camlofski, gerente de operações da Moageira Irati, observa que a situação das lavouras da Argentina, neste momento, é delicada e preocupa também porque o Brasil colheu menos do que previa. “Trouxemos um pouco de trigo do Paraguai para análise, mas, seguramente vai ser um ano difícil para os moinhos até chegarem na próxima safra”, comenta.