O 27º Congresso da Abitrigo foi aberto com palestra da economista, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e professora da SAIS/John Hopkins University Washington, Monica de Bolle. Ela falou do cenário geopolítico mundial, citou o novo governo Joe Biden, nos EUA, como uma possibilidade de maior equilíbrio econômico, o que é “bom para o mundo e para o Brasil” e não foi nada otimista com relação ao Brasil.

Na sua avaliação, o país terá um ano de desafios e, se conseguir algum crescimento será abaixo do esperado. Também citou as políticas ambientais, as quais contribuíram para o país perder relevância no cenário internacional. “O setor de grãos terá que preencher o papel de maior protagonismo”, citou, dizendo ver espaço para o setor privado manter boas relações com os EUA, mostrando tudo o que o agro faz na área de agricultura sustentável. “Sabemos que temos muitos produtores preocupados com essas questões e caberá ao setor privado brasileiro fazer a trabalho com os EUA para evitar um possível estremecimento entre os dois países”, disse.

O primeiro painel do evento debateu a dinâmica do mercado, com destaque para os desafios do setor. Contou com a participação do presidente honorário da European Flour Millers, Bernard Valluis; do diretor comercial da Coamo Agroindustrial Cooperativa, Rogério Trannin de Mello; do executivo do Negócio Trigo da Bunge, Edson Csipai; e do presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga – ANUT, Luiz Henrique Baldez.

Valluis afirmou que a demanda mundial do trigo será atendida, pelo volume estimado de produção, até o ano de 2029 mesmo com crescimento da população mundial e que a Ásia seguirá liderando a demanda pelo cereal.

Mello falou da competividade do trigo brasileiro, principalmente por sua qualidade, e do grande desafio do aumento da produção devido à concorrência com o milho segunda safra. E destacou que aumentar as áreas de trigo ainda é uma escolha do produtor.

Csipai abordou o mercado internacional, tarifa externa comum e trigo transgênico. Disse que  o preço de venda do trigo é um dos principais pontos de atenção do setor neste ano. “Não me espantaria se o preço internacional chegasse a US$ 300 a tonelada”. Também observou o desafio da indústria moageira brasileira, que viu seus custos aumentarem 60%, mas que ainda não foram repassados ao mercado consumidor.  Sobre a TEC, disse que gostaria que as regras fossem mais claras. E por fim, sobre o trigo transgênico, salientou ser ainda um tema sensível, devido à rejeição por parte do consumidor.

Já Baldez acrescentou um outro olhar sobre competividade, acrescentando o ingrediente logística. “Competitividade é um conceito global e múltiplo”, acentuou. Quando se lança um olhar mais abrangente, vê-se que o Brasil está muito atrás de seus pares no quesito competividade, avaliou.

Ele exemplificou citando o impacto do frete no custo do transporte: de Cascavel a Paranaguá, é de 37%; e de Foz do Iguaçu a Paranaguá atinge 44%. “Quando verificamos que na média o custo brasileiro representa cerca de 26% do produto e nos países da OCDE (Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico) apenas 9%, podemos afirmar que temos uma diferença competitiva ainda muito grande.”

O conteúdo completo do 27º Congresso Internacional da Indústria do Trigo está disponível no canal da Abitrigo no YouTube.