A gestão na indústria do trigo foi um dos temas discutidos no 27ª Congresso Internacional da Indústria de Trigo, realizado no último dia 25 de novembro, pela Abitrigo, com o tema central “Mudanças Recentes e o Futuro”.

O painel teve a participação do CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, do Global Principal Application Scientist, Enzymes DuPont Health & Bioscience, Eduardo Pimentel Junior; do presidente da J. Macedo, José Honório Tofoli; e da diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria – CNI, Mônica Messenberg.

Em depoimento gravado, Tomazoni fez uma retrospectiva de sua carreira, numa jornada que o “educou sobre como é possível transformar um negócio”. Ele disse acreditar, verdadeiramente, que qualquer negócio pode ser melhorado em um curto espaço de tempo. E destacou oito aspectos que considera de grande importância para o sucesso de uma empresa: mentalidade, sendo fundamental querer ser o melhor; gestão de pessoas, contrato emocional, infraestrutura, alinhamento cultural, plano de ação, conhecimento técnico e recompensa ao time, com metas e bônus arrojados. Segundo ele, as pessoas são a parte mais importante de uma estratégia.  “Os colaboradores assinam um contrato de trabalho quando entram na empresa, mas o mais importante é o ‘contrato emocional’, pois ele é voluntário e individual. É esse ‘contrato’ que fornece a energia que movimenta a empresa, que faz as pessoas se comprometerem com o objetivo da companhia, buscando inovar e se dedicar para atingir as metas”.

Eduardo Pimentel Junior também enfatizou que a importância das pessoas na engrenagem. Destacou ainda o papel da  inovação e tendências. “A indústria moageira é um setor que carrega os selos de artesanal e tradicional, mas é necessário sair da zona de conforto do tradicional e abrir espaço para a inovação. A inovação tem começo, meio, mas não tem fim. Ela tem que ser um movimento contínuo”, destacou.

Sobre as tendências, Pimentel falou dos subprodutos do trigo – 70% da farinha produzida no Brasil tem seu foco em pão; o segundo semento é o mercado de pasta; o terceiro, de biscoitos.; e depois vêm os demais. “E o farelo? E o gérmen? O que fazer com isso? Só vender para ração?” Ele observou a importância de se começar a olhar para esses produtos de forma diferente.

Tofoli, munido de dados sobre o desempenho de 13 moinhos localizados de Norte a Sul do país, destacou a diferença de desempenho entre eles, com rentabilidade que vai de menos 11% a 20% positivos. “Temos que mudar paradigmas no setor e aceitar que o nosso problema está na gestão. O mercado está para todos, mas é preciso focar na gestão dos nossos negócios, traçando metas e objetivos a serem alcançados e parar de continuar aceitando que temos que vender barato. Choque de gestão e foco no lucro devem ser os objetivos”, enfatizou.

E, por último, Mônica Messemberg analisou os impactos das ações dos governos na atividade empresarial, observando que o Brasil está entre os três níveis piores de competitividade. Citou, entre os fatores que prejudicam a competitividade: financiamento, tributação, logística e ambiente de negócios.