O Ministério da Agricultura publicou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ano-safra 2020/2021, para a cultura do trigo, no Diário Oficial da União (DOU), no dia 14 de janeiro. O Zarc indica o melhor período para o plantio do grão.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, especialista em trigo, adianta que um dos importantes aspectos do novo zoneamento foi a inclusão de áreas arenosas no Zarc para o plantio do trigo. “Então, eventualmente, um produtor que tivesse uma área arenosa e não podia plantar agora terá essa possibilidade”, diz ele. Porém, ressalva, as áreas mais ao Norte do Paraná não devem ter muito crescimento de área para o trigo na próxima safra devido ao bom preço do milho e, se o produtor puder, ele vai optar pelo milho. “Deve haver um pequeno aumento de área para o trigo em relação às áreas que vão ficar ocupadas com soja devido ao plantio tardio”, explica

No Paraná, há várias regiões com solo arenoso, como o Nordeste do Estado, pegando até a região norte na altura de Londrina, segundo informa Godinho.

O pesquisador do IDR-PR Carlos Riede observa que ano a ano vem se buscando aprimorar o zoneamento para evitar perdas e atender às demandas do setor. Ele alerta, no entanto, que o solo arenoso precisa de mais água e que é preciso também mais cuidados no manejo.

De acordo com o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, nas regiões tradicionais de cultivo comercial de trigo no Brasil, os maiores riscos de perda de produção são: geada no espigamento (região temperada); excesso de chuva/umidade elevada, que, na fase inicial de enchimento de grãos, pode causar doenças de espiga de difícil controle (giberela na região temperada e brusone na região tropical) ou acarretar, no período de colheita, a perda de qualidade tecnológica dos grãos; e deficiência hídrica e temperatura elevada (região tropical).

A atualização do Zarc de trigo, ano-safra 2020/2021, levou em consideração algumas demandas propostas pelo setor produtivo ao longo do ano de 2020 e envolveram, basicamente, a inclusão dos solos tipo 1 e a reanálise dos períodos de semeadura de alguns munícipios do norte do Paraná e sul do estado de São Paulo, além de prospecção de novas áreas com aptidão tritícola na região tropical, especialmente nos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia, que vêm se configurando como um novo polo de expansão da triticultura.

Unidades

Estão contempladas no Zarc de Trigo, ano-safra 2020/2021, dez unidades da Federação: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais, para o sistema de sequeiros; e São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia, para o sistema irrigado.

Os maiores produtores de trigo do país são Rio Grande do Sul e Paraná, responsáveis em torno de 85,8% da produção nacional, conforme dados da Conab, divulgados em dezembro de 2020. Com a finalização da colheita do trigo nos principais estados produtores, a produção nacional estimada é de 6,183 milhões de toneladas. Nas principais regiões produtoras, a nova safra 2020/21 tem plantio começando em abril ou maio, com a colheita ocorrendo no decorrer do segundo semestre de 2021.