O banco Itaú BBA alerta que os preços do trigo no mercado interno podem voltar a subir nos próximos meses, caso o câmbio se mantenha no patamar atual e haja maior necessidade de importação na entressafra brasileira. “Os níveis de preços locais tendem a garantir bons níveis de margens aos produtores que, por sua vez, serão estimulados a aumentar a produção do cereal, podendo arrefecer (esfriar) as cotações na próxima temporada”, afirmou a instituição financeira, por meio do relatório Radar Agro, publicado na última segunda-feira (22).

O Itaú BBA ressalta que diante da perspectiva de alta das cotações do trigo, o cenário para 2021 exigirá cuidados para a indústria moageira. “Para aqueles que estão com estoques mais baixos há o risco de aumento de custo de aquisição do trigo, o que trará desafio de repasses de tais elevações para a indústria alimentícia. Já para as fábricas que estão com reservas alongadas, há risco de impacto no valor do produto armazenado em cenário de uma eventual valorização do real ante o dólar”, considera a instituição.

O documento ainda destaca que em relação ao cereal importado, a maior preocupação é de que restrições de volume direcionado à exportação por parte da Argentina possam levar a riscos momentâneos no abastecimento interno ou a aumento expressivo dos custos da indústria local, uma vez que os compradores terão que buscar o cereal de origens mais distantes.

Sobre essas possíveis restrições argentinas, o banco considera que a alta da inflação no país vizinho pode dar fôlego para a retomada das discussões sobre limitar as vendas externas de trigo e elevar os impostos sobre a exportação. Cerca de 85% do volume importado pelos moinhos brasileiros anualmente, entre 6 a 7 milhões de toneladas, vêm da Argentina.

Segundo análise da Agência Safras, divulgada na última semana, o Brasil deve importar 6,3 milhões de toneladas na temporada 2020/21. Já a produção nacional no período deve ficar em 6,25 milhões de toneladas, de acordo com projeção da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Dessa forma, a oferta total de trigo no mercado interno está prevista em 13,55 milhões de toneladas, enquanto o consumo está estimado em 12,2 milhões de toneladas, indicando que os estoques finais do ceral devem ficar em 607 mil toneladas.

 

Fontes: TF Consultoria Agroeconômica/Agência Safras