Os preços elevados do trigo no mercado brasileiro e o planejamento dos agricultores para a safra de inverno indicam um avanço no plantio de trigo em 2021, conforme analistas e representantes do setor.

De acordo com a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), a expectativa é que a área de plantio tenha um acréscimo de 10% no Estado, aproximando-se da área plantada no Paraná, maior produtor do cereal no país. Juntos, os dois estados respondem por 85% da safra nacional.

No Paraná, a projeção também é de aumento da área plantada em relação à 2020. Estimativas do  Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que a área tende a superar o total de 1,1 milhão de hectares que foram plantados com trigo no ano passado.

Custos mais altos

Nos dois estados as projeções apontam para alta nos custos de produção para a temporada. No RS os custos devem ficar 21,77% mais elevados em relação ao ano passado. Em contrapartida, dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio do trigo no estado gaúcho disparou quase 70% no comparativo anual, passando de R$ 866,25 por tonelada para R$ 1.465,02 nos primeiros dias de março.

Já no Paraná os custos, especialmente com sementes, fertilizantes e agroquímicos estarão maiores em função do aumento na procura, influência das cotações do câmbio e do petróleo. Entretanto, a alta nos custos não deve ser proporcional à elevação anual do preço do trigo paranaense, que gira em torno de 50%. De acordo com o Cepea, o cereal estava cotado a R$ 1.496,38 por tonelada no início de março, contra R$ 985,49 registrados no mesmo período do ano anterior.

Estoques

Segundo análise da Agência Safras, divulgada em fevereiro, o Brasil deve importar 6,3 milhões de toneladas na temporada 2020/21. Já a produção nacional no período deve ficar em 6,25 milhões de toneladas, de acordo com projeção da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Dessa forma, a oferta total de trigo no mercado interno está prevista em 13,55 milhões de toneladas, enquanto o consumo está estimado em 12,2 milhões de toneladas, indicando que os estoques finais do cereal devem ficar em 607 mil toneladas.