Os efeitos do calor e da seca na Argentina, além de uma possível continuidade do período chuvoso no Brasil, têm levado analistas do setor a acreditarem em potenciais perdas de rendimento no plantio do cereal em 2021. Diante desse cenário, o trigo produzido no Paraguai surge como uma alternativa interessante para as importações de moinhos brasileiros, em especial os que atuam no Paraná.

O Paraguai é um pequeno, mas importante exportador de grãos e sementes oleaginosas, principalmente para o Brasil e a Argentina. Ele abastece mercados mais distantes, mas sua posição sem litoral na América do Sul, cria custos extras em comparação com seus concorrentes, com o transporte fluvial usado para levar grãos aos portos costeiros.

As estimativas da União de Cooperativas do Paraguay – UNEXPA S.A. para 2021 são de 400 mil hectares de área plantada, com produção estimada em 2,95 toneladas/hectare, alcançando um total de 1,18 milhão de toneladas. Desse total, um excedente de 580 mil toneladas será destinado à exportação. Somente o Brasil deve ser responsável pela compra de 222 mil toneladas.

Há cerca de 8 anos o Moinho Alameda, de Corbélia, no Oeste paranaense, usa o cereal paraguaio em sua mescla para produção de farinha. “Usamos em torno de 30 a 50%, dependendo do mercado e da disponibilidade. O restante é trigo brasileiro. Optamos por ele, por preço, dependendo da taxa cambial; qualidade, pois consideramos ele muito bom para mescla com o nacional; e, principalmente, pela disponibilidade no segundo semestre, quando já não há mais oferta no Brasil”, informa Emerson Alflen, proprietário da empresa.

Ele explica ainda que os fornecedores brasileiros preferem esvaziar os silos para recebimento da safra de verão, enquanto no Paraguai os produtores têm como estratégia armazenar os grãos em silos-bolsas, para ofertar no período da entressafra. “No Brasil não temos essa opção”, lamenta.

Gerson Muller, sócio-gerente do Moinho Filadélfia, de Cascavel, também no Oeste do estado, conta que a empresa optou pelo trigo do país vizinho porque encontrou nele características semelhantes ao grão produzido no Paraná. “O cereal vindo do Paraguai não tem qualidade superior, mas fica no mesmo patamar que o produzido aqui. Outra vantagem é a proximidade, o que facilita questões como logística e custo de frete. Há ainda atrativos como o preço, que eventualmente está melhor, e disponibilidade do produto em épocas em que o mercado está mais restrito no Brasil, considera.