A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) divulgou, em nota à imprensa, que o setor espera crescer de 3% a 5% em faturamento e 2% em volume de vendas em 2021, apesar da alta nos custos com o trigo. De acordo com a entidade, o crescimento se justifica, mais uma vez, pelo crescente consumo nos lares brasileiros, impulsionado pela pandemia da COVID-19.

Em 2020, as vendas do segmento subiram 5,37%, chegando a 3,55 milhões de toneladas. A alta do ano passado também é atribuída ao maior consumo da população durante os períodos de isolamento social impostos pela pandemia. No total, segundo a Abimapi, o setor faturou R$ 40,5 bilhões, com alta de 9% em relação a 2019.

Ainda em nota, o presidente da Abimapi, Claudio Zanão disse que os produtos da categoria são relativamente baratos, pertencentes à cesta básica de alimentação, e a população está menos capitalizada, revisando as suas prioridades de consumo. Isso contribui, por exemplo, para o incremento de vendas de massas como o macarrão.

Custos

O segmento mantém o otimismo e a previsão de crescimento mesmo diante do aumento de custo da farinha de trigo, principal insumo da indústria de biscoitos e massas. O trigo, matéria-prima para farinhas e misturas prontas, vem registrando altas diante da desvalorização do real frente ao dólar e da entressafra na produção nacional.

A maior dificuldade, segundo Zanão, é repassar para o consumidor esse reajuste de preço, que vive um cenário de recessão econômica. Mesmo assim, a Abimapi informou que o repasse de despesas já foi iniciado neste ano, com reajuste médio de 2% a 3% sobre o portfólio de produtos do setor. A ideia é fazer uma repasse gradual para não gerar impacto abrupto no mercado consumidor.

De acordo com a Abimapi, cerca de 70% do custo de produção de massas é com farinha. Nos biscoitos, em média, o peso é de 30%, e nos pães e bolos industrializados, de 60%.

Fora do país

O setor também tem expectativa de que haja um crescimento de 10% com a exportação de farinhas, macarrão, massas instantâneas e pão de forma, além de alimentos congelados, já que a demanda por este tipo de alimento aumentou em diversos lugares do mundo devido à permanencia do cenário de pandemia e recomendação de isolamento domiciliar.  A Abimapi destacou que o volume embarcado pelo setor em 2020 saltou 52%, para 158 mil toneladas, enquanto as receita com vendas externas subiram 15%, atingindo US$ 196,3 milhões.