Expectativa do órgão também é de crescimento na área plantada no estado

Com grande importância na cultura de trigo no país, o Paraná já iniciou o plantio do cereal em suas lavouras. Mesmo em ritmo ainda lento, as expectativas são positivas, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Os bons preços do cultivo motivaram este cenário favorável, que pode culminar nos números de produtividade recorde de 2016: mais de 3 mil quilos por hectare – ano em que as condições eram consideradas semelhantes às da safra atual.

Para o órgão, o processo lento de semeadura até o momento, que ainda não atingiu o índice de 1%, não preocupa, e pode ser considerado comum. “O ritmo normalmente é lento em março e abril, justamente porque os municípios aptos ao plantio são os mesmos que tem possibilidade de plantar a segunda safra de milho. Deve ter um aumento considerável nos plantios em maio, a medida que haja a inclusão de outras regiões habilitadas ao plantio, segundo o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Alguns municípios são habilitados a plantarem conforme zoneamento até final de julho”, detalha o analista de trigo do Deral, Hugo Godinho.

Em relação à área plantada, a previsão do Deral é de crescimento de 2% se comparada com 2020, podendo alcançar 1,14 milhão de hectares. De acordo com Godinho, essa expansão só não é maior porque os preços do milho são ainda mais atrativos.

Desafios

Para que a previsão de recorde se concretize é importante um clima favorável. “A expectativa de produtividade é boa, dado que a tecnologia empregada é cada vez maior, e nesse ano vem favorecida pela possibilidade de uma remuneração acima da média, que deve refletir em mais investimento na cultura. Apesar disso, o trigo é uma cultura de alto risco, e nos últimos 4 anos tivemos problemas de produtividade devido ao clima (seca e geadas, especialmente). Caso escapemos desses eventos nesse ano, temos possibilidade de produzir mais de 3.300 kg/ha”, afirma o analista de trigo do Deral.

Um desafio recorrente aos produtores, entretanto, não deve preocupar nesta safra. “Normalmente, o principal desafio dos produtores é a comercialização. Porém, os patamares de paridade de importação podem resultar em uma boa liquidez novamente, a exemplo do que aconteceu na safra passada. A qualidade do trigo paranaense melhora ano a ano, caso o clima ajude. As variedades disponíveis aos produtores hoje em dia, e cada vez mais, são desenvolvidas também em parceria com a indústria, visando gerar bons produtos finais”, complementa Godinho.