Indústria do trigo tem desafios e possibilidade de crescimento em 2021

Análise foi feita durante a segunda edição do Moatring Meeting, evento virtual que apresenta à indústria moageira as últimas tecnologias e soluções do mercado

Após um ano de aumento no consumo dos alimentos das categorias biscoito, massas, pães industrializados e farinha de trigo, 2021 já chegou mostrando redução nesses volumes, no primeiro bimestre, e indicando os seus desafios, a exemplo do preço alto das commodities. Mas como tornar o setor mais competitivo e rentável em meio a esse cenário? Estas oportunidades e tendências do futuro no setor moageiro foram debatidas durante o Moatrigo Meeting de maio, realizado pelo SinditrigolPR na última terça-feira (11), e transmitido ao vivo pelo canal da entidade no Youtube.

Para este ano, o setor espera que o aumento de volume de 2020 tenha um residual, entretanto, depende de fatores como o auxílio emergencial. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas, Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), é possível que o segmento tenha um crescimento de 3%, dependendo da categoria. “De uma maneira geral, esses alimentos (biscoitos, massas, pães industrializados e farinha de trigo) estão indo bem. Só que nesse ano nós não vamos ter a mesma oportunidade de 2020”, relatou o presidente Claudio Zanão.

Segundo Zanão, alguns aspectos do ano passado trouxeram aprendizados. “O consumo voltou para dentro do lar, abrindo espaço para indulgências e ampliando momentos de café da manhã e refeições de fim de tarde. Além disso tivemos o “consumo soma zero”, no qual brasileiros equilibram o bolso racionalizando tamanho de embalagens e desembolso, o poder de compra temporário devido ao auxílio emergencial e o crescimento de delivery e e-commerce”, afirmou em sua apresentação em que trouxe dados da pesquisa da Kantar.

Ao destacar o que esperar para 2021, após análise do consumo no primeiro bimestre, o presidente da Associação apontou alguns aspectos importantes: desaceleração dos gastos com bens de grande consumo, alimentos ainda priorizados e expandidos em unidades, além do atacarejo, a procura por canais de proximidade relevantes durante o lockdown, como é o caso das lojas de vizinhança.

Acelerando resultados

Além da atenção às tendências e ao que o consumidor demanda, a tecnologia também é necessária para potencializar a produtividade e rentabilidade dos parques industriais. “Você não pode gerenciar o que não mede, se não tem informações está cego para operar o moinho. Temos o exemplo de um moinho na Áustria que quando começou a monitorar o processo, durante dois anos, conseguiu aumentar o rendimento entre 1% e 2%. Quando tiveram desvios, foram analisando o que causou, resolveram o problema para cada vez melhorar um pouco mais”, contou o gerente de Vendas Sênior MS da Bühler Brasil, Sebastian Stein, no encontro.

Para atingir esses resultados e deixar o moinho mais inteligente, Stein destacou três aspectos necessários: o primeiro é a tecnologia e o know how, sendo importante analisar as possibilidades e decidir onde faz sentido investir e aplicar o auto ajuste no moinho. O segundo ponto é ter equipamentos confiáveis, para que ele possa operar sem o controle de uma pessoa. E por último o investimento em dispositivos e sensores que vão trazer uma base de informação, para analisar e posteriormente tomar as decisões. “Isso não é coisa do futuro, a princípio é possível criar certos loopings de autocontrole dentro dos moinhos já existentes”, complementou.

Próxima edição

Ao final do evento, o Presidente do Sinditrigo|PR, Daniel Kümmel, confirmou a próxima edição do encontro para 15 de junho (terça-feira), também às 10h, com transmissão ao vivo pelo Youtube. A programação em breve será anunciada ao setor. Para acessar os eventos anteriores clique aqui. Mais informações sobre o fórum devem ser solicitadas por meio dos contatos oficiais da entidade: (41) 99168 9696 e contato@sinditrigopr.com.br