Métodos de análises sensoriais da farinha de trigo foram apresentados durante o Moatrigo Meeting de junho, além de debates sobre expectativa para a safra 2021

Com o plantio de trigo, praticamente, finalizado no Paraná e a expectativa da colheita da safra batendo à porta, os moinhos esperam condições climáticas positivas nos próximos meses para que consigam recuperar seus estoques a um preço mais acessível. Enquanto o repasse de valor entre o trigo e a farinha segue desequilibrado, é importante que o setor esteja atento à qualidade do seu produto e também ao momento adequado para a compra de insumos. Estes temas foram debatidos durante o Moatrigo Meeting de junho, realizado na terça-feira (15), com transmissão pelo Youtube e Facebook do Sinditrigo | PR.

Para atender as exigências do mercado em relação à farinha de trigo, a panificação experimental aparece como uma importante metodologia analítica, em que se realizam análises sensoriais do resultado do produto. “Nosso objetivo é identificar características da massa que nos serão preditivas do comportamento posterior do resultado de panificação que iremos obter”, explica o Sócio-Fundador e Diretor Geral da Eurogerm no Brasil, Maurício Lauria Sandri, que apresentou a palestra “Panificação Experimental, passo a passo”, durante o evento.

Sendo assim, Sandri aponta a necessidade de uniformizar o vocabulário e percepções na panificação. “Isso é possível através de um método padronizado, um ensaio de panificação. Quando se fala em panificação experimental, especialmente no contexto brasileiro, falamos do pão francês brasileiro, o pão mais consumido no nosso mercado. Simular de forma padronizada esses processos de panificação para poder, a partir da observação sensorial, ter definições de conceitos, entender exatamente as características e buscar interpretar o que seu cliente irá perceber é fundamental”, complementa.

Em sua apresentação, Sandri destacou as principais características a serem avaliadas, que são distribuídas nas fases de: amassamento, descanso, modelagem, fermentação, além de aspectos do pão e do miolo. Sendo algumas delas: alisamento, pegajosidade, consistência, extensibilidade, elasticidade, velocidade, relaxamento, porosidade, pegajosidade e resistência ao corte, simetria, pestana, craquelamento, crocância, cor, volume, peso, maciez e odor/sabor. “Muitas vezes esse é um ensaio padronizado para identificar uma variedade de trigo ou testar uma farinha da produção, mas muitas vezes é preciso fazer também um ensaio comparativo”, complementa.

Safra 2021

Com uma produção prevista de quase 7 milhões de toneladas no Brasil e 3,1 milhões de toneladas no Paraná, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita tardia, em períodos de chuvas, traz preocupação para o setor, como o possível aparecimento de pragas e doenças nas lavouras. “Vimos essa realidade de atraso no plantio aqui, 20% foi plantado até a primeira quinzena de maio, e geralmente é 50%. O problema é que isso vai ser colhido na segunda quinzena de setembro para frente”, conta o Diretor Comercial da COAMO Agroindustrial Cooperativa, Rogério Trannin de Mello, que participou do bate-papo sobre “Mercado de Trigo: Safra 2021, análises e perceptivas!”.

A visão é compartilhada pelo Gerente de Suprimentos do Moinho Globo, Rui Marcos Alvino de Souza, que também esteve presente no Moatrigo Meeting de junho. “O trigo vai espigar em uma época muito quente no Norte e Norte Pioneiro do Paraná, além do Sul de São Paulo. E isso pode trazer doenças que historicamente não teríamos problema”, complementa.

Os valores e estoques de trigo também estão entre os principais questionamentos do segmento moageiro. Segundo Alvino de Souza (Rui), o produtor rural está capitalizado, então não deve vender todo o trigo no início da safra. “O agricultor de trigo, aqui da nossa região, tem esse histórico de colher, vender uma boa parte, e deixar outra armazenada. E se ele tem perspectiva do trigo subir, não vai vender de imediato. Dessa forma, pela proximidade de colheita entre Norte e Centro do Paraná, a região dos Campos Gerais e também do Rio Grande do Sul, acreditamos que tenha um excesso de oferta no início da próxima temporada de compras, entre outubro e começo de novembro”.

Qualidade paranaense

Principal produtor de trigo do Brasil, o Paraná também é sinônimo de qualidade, conforme defenderam os participantes do evento. Para o Gerente de Suprimentos do Moinho Globo, há trigo no estado que não perde para trigo importado. “O trigo, do tempo que estou aqui, evoluiu muito. Antes brincávamos que não poderia falarem previsão do tempo que o trigo já iniciava o processo de germinação, hoje, o trabalho de pesquisa é muito bom, a evolução é muito grande”, relata Rui.

O Diretor Comercial da COAMO Agroindustrial Cooperativa ainda complementa que hoje a questão da qualidade, é algo resolvido. “Temos trigo que performa muito bem. Fiquei feliz de ver um concurso que foi feito na França e o nosso trigo ficou em primeiro lugar, o trigo do Paraná. Estamos bem realmente em todos os quesitos, com condições de atender a aspectos de qualidade mesmo com parte do trigo afetada pela chuva”, reforça.

Próxima edição

Ao final do evento, o Presidente do Sinditrigo|PR, Daniel Kümmel, confirmou a próxima edição do encontro para 13 de julho (terça-feira), também às 10h, com transmissão ao vivo. A programação da quarta edição de 2021 será confirmada em breve. Para acessar as discussões anteriores, clique aqui. Mais informações sobre o fórum devem ser solicitadas por meio dos contatos oficiais da entidade: (41) 99168 9696 e contato@sinditrigopr.com.br.