Entidade está sob novo comando, com chefia geral de Jorge Lemainski

Em maio, a Embrapa Trigo empossou sua nova gestão, que comandará a entidade no biênio, podendo estender o mandato por até seis anos. Quem assumiu a chefia geral foi o engenheiro agrônomo Jorge Lemainski, que enxerga como principais desafios do órgão ser parte da solução para a produção de trigo no Brasil e trabalhar pela ampliação da área de cultivo de cereais de inverno no país.

“A expansão de 100 mil hectares de trigo tropical e de 200 mil hectares na região fria do sul do Brasil pode gerar uma produção de mais 900 mil toneladas de trigo, impactando, positivamente, em 1,35 bilhões de reais na balança comercial brasileira. Este é um desafio para os próximos dois anos. Em cinco anos, espera-se que a área de 2,92 milhões de hectares cultivada com cereais de inverno no Brasil – trigo, aveia, cevada, triticale e centeio – atinja os 4 milhões de hectares”, afirma.

Para que essa ampliação se concretize, Lemainski conta que a Embrapa Trigo possui alguns objetivos como: a expansão da área de cultivo de cereais de inverno com ênfase para a Tropicalização do Trigo – demanda do setor produtivo de cultivares tolerantes à seca/calor e à brusone do trigo; otimização do uso da terra no inverno – cultivares com tolerância à germinação na espiga e à giberela; redução de micotoxinas, alimento seguro, qualidade tecnológica nas áreas tradicionais de cultivo de trigo, RS, SC e sul do PR, onde a produção de grãos é concentrada no verão (milho e soja), área cultivada com grãos no inverno é cinco vezes menor.

Contribuição com o setor

Além disso, para auxiliar os produtores rurais a vencerem os principais desafios, o chefe geral explica que a Embrapa gera cultivares de trigo com a genética BRS, que é marcada pela sanidade, produtividade e qualidade industrial. “Semente de alta qualidade combinada com manejo eficiente em sistemas agrícolas produtivos desenvolvidos pela pesquisa e transferido aos produtores, resultando em menor custo de produção com produtividade rentável para o produtor – isto é, mais renda com menos risco”, defende.

Já em relação ao setor moageiro, Lemainski ressalta que a Embrapa Trigo irá manter seus esforços para produzir o melhor e mais rentável trigo, que atenda à demanda dos moinhos. Segundo o engenheiro agrônomo, em 1976 a produtividade era de 800 kg/ha, em 2011 passou a 1800 kg/ha, em 2016 superou os 3.000 kg/ha, e em setembro de 2020, com o BRS 264, em sistema irrigado em Goiás, região do Cerrado, o recorde brasileiro de 8.542 kg/ha, em 114 dias – 75 kg/ha/dia. O chefe-geral ainda reforça que o Brasil produz trigo com qualidade para todas as farinhas. “Todo trabalho dos empregados e gestores dos moinhos chega, diariamente, transformado na forma de pão à mesa das pessoas dando o melhor significado à existência individual e à segurança alimentar. Dezoito por cento da proteína consumida no mundo vem do trigo. Vinte por cento das calorias que alimentam as pessoas do planeta, vem do trigo”, complementa.

Conheça, abaixo, programas previstos para a nova gestão da Embrapa Trigo:

a) Intensificar as pesquisas para solução dos principais gargalos para o avanço da área de cultivo do trigo tropical – doença da brusone e cultivares tolerantes à seca/calor; e, na região fria do sul do Brasil, gerar cultivares com maior tolerância à germinação na espiga e à giberela;

b) Maior liquidez na comercialização, associada à redução nos custos de produção dos cereais de inverno (trigo, cevada, triticale, centeio e aveia preta) via material genético e manejo eficiente.

c) Maior inserção na genética Embrapa – há demanda dos produtores de sementes para atuação mais vigorosa da Embrapa como balizadora do mercado de tecnologias;

d) Desenvolvimento e disponibilização de tecnologias em temas transversais, alinhados, às cadeias produtivas dos cereais de inverno. Agricultura conservacionista ou regenerativa – manejo e conservação da água e do solo. MIP – estratégias de manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas, manejo integrado de pragas e doenças em lavoura e pós-colheita de grãos;

e) Demanda institucional por suporte a políticas públicas e apoio à governança das cadeias e organizações do agronegócio – Câmaras Setoriais do Trigo RS, SC, PR, MG, MS e Câmara Setorial de Culturas de Inverno, em Brasília, DF. Fóruns anuais com entidades representativas das cadeias agroindustriais associadas;

f) Intensificação sustentável do uso da terra e aumento da eficiência no uso de insumos focando em maior rentabilidade por área – ação em rede com cooperativas, consultores privados, empresas de sementes e insumos, universidades e produtores referência para obter mais renda no inverno.