Maneiras de otimizar o cereal produzido nacionalmente e os desafios da região Sul na safra que se aproxima foram assuntos da quarta edição do Moatrigo Meeting de 2021

A variação da qualidade do trigo e, consequentemente da farinha, está entre os principais desafios do setor moageiro. Isso porque essas alterações podem exigir mudanças constantes nas formulações para que o produto resista aos processos de longa fermentação e congelamento na panificação. Entretanto, para superar esse obstáculo o mercado já oferece ingredientes tecnológicos que combinados com a farinha nacional resultam em um pão francês de qualidade.

Para apresentar essa possibilidade, a Gerente Comercial Bakery da Prozyn – Biosolutions for life, Daiana Schimmel, mostrou um estudo de caso da empresa, durante sua palestra “Otimização do trigo nacional na produção de pão francês de alta qualidade”, no Moatrigo Meeting de julho, realizado na última terça-feira (13), virtualmente. Os testes, conduzidos com trigos nacionais de reologia diferentes, mostraram como os desafios de volume, tolerância e pestana, na panificação, podem ser superados com base em produtos com sinergia de enzimas, emulsificantes e oxidantes, mesmo com variação entre as farinhas.

“O objetivo é que a gente consiga ter um produto que supere uma variação desse trigo, dessa farinha, seja importado ou nacional. Quando tiver essa variação, não precisar trocar de formulação a cada mês, ou seja, entrar um lote diferente e eu já precisar mexer na formulação. Esses produtos vem para trazer essa estabilidade, suportar tudo isso. Produtos que aguentam bastante a questão de longa fermentação e processos congelados”, ressaltou Daiana.

A Gerente Comercial Bakery da Prozyn – Biosolutions for life explica que isso é possível por meio de novas gerações de enzimas. “Essas soluções que apresentamos para o mercado chegam a ter de 10 a 12 enzimas diferentes, em uma única formulação porque cada vez mais trabalhamos com novas gerações de enzimas”, contou. Daiana ainda complementa que estas alternativas também contribuem para o ponto ideal de craquelamento e substituição do azodicarbonamida (ADA).

Visão regional

Os desafios da nova safra continuam no radar do setor, as preocupações que estão no campo e também no mercado e ambiente de negócios foram debatidos pelos representantes do Sinditrigo de cada estado do Sul do Brasil. A região é responsável por aproximadamente 90% de todo o trigo produzido no país, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o presidente do Sinditrigo|PR, Daniel Kümmel, o milho está impactando muito o dia a dia de trabalho do setor. “Hoje nós temos novos players de aquisição de trigo. Então, estamos na expectativa em relação a uma safra grande, a precificação e os ambientes dessa safra onde tínhamos só moinhos comprando, estamos vendo também fábrica de rações, pois o trigo é um substituto essencial para a alimentação dos animais com a quebra da safra de milho”, afirmou.

Para o presidente do Sinditrigo|SC, Egon Werner, o atraso da safra é um ponto relevante. “O que eu vejo como fator de bastante atenção é que nós vamos ter um grande volume na safra, e uma qualidade que ainda é um incógnita. Esse atraso tende a expor a safra uma questão climática bastante forte e a precificação desse trigo, a tendência de que venha a cair o preço, em relação ao atual, vai se tornar realidade nos moinhos somente nos meses de novembro e dezembro. Então minha preocupação não está tanto com a produção em si, que isso agora tem que deixar evoluir, com que a natureza tenha seu curso, mas uma preocupação mais com o próprio mercado das farinhas nesse momento”, relatou.

Ao longo do debate, o presidente do Sinditrigo|RS, Rogério Tondo também reforçou a preocupação com a precificação do cereal. “O que vem pela frente a gente não sabe muito, mas só para dar ideia de grandeza: 15 dias atrás o trigo gaúcho estava cotado a 1400 FOB, por causa da queda cambial que houve e a queda de moagem consequentemente. hoje já voltou para 1500 FOB, estamos falando de 100 reais a tonelada em menos de 15 dias, para um moinho é vida ou morte, é rentabilidade ou prejuízo. É muito tênue essa precificação”, complementou.

Próxima edição

Ao final do evento, a vice-presidente do Sinditrigo|PR, Paloma Venturelli, confirmou a próxima edição do encontro para 24 de agosto (terça-feira), também às 10h, com transmissão ao vivo pelo Youtube e Facebook do sindicato. Para acessar os debates anteriores deste ano, clique aqui. Mais informações sobre o fórum devem ser solicitadas por meio dos contatos oficiais da entidade: (41) 99168 9696 e contato@sinditrigopr.com.br.