Novas soluções para o mercado e contribuição da ciência no segmento foram discutidas durante o Moatrigo Meeting de agosto

A ciência e as novas tecnologias têm sido aliadas nas evoluções conquistadas pela triticultura e o setor moageiro nas últimas décadas. O salto em produtividade e na qualidade do cereal produzido nacionalmente, além de uma farinha que consiga atender às mais altas exigências de mercado, são resultado de diversas pesquisas na área. Estudos que também contribuem para a superação de diversos desafios como pragas e doenças no campo e adversidades climáticas constantes nas safras.

Entre as novidades de alta tecnologia, disponíveis no mercado, estão as novas famílias de enzimas que auxiliam os moinhos a vencerem problemas na reologia do trigo e na panificação, como o falling number, p/L e outras características. A solução, chamada Monozyme Falling Control, foi apresentada pela AIT Ingredientes Brasil durante o Moatrigo Meeting de Agosto, realizado pelo Sinditrigo virtualmente na última terça-feira (24).

“A linha Monozyme Falling Control atinge queda de falling number e excelente performance de cozimento, por isso obtém-se pães com melhor corte, salto de forno e melhor coloração”. explicou a supervisora de P&D da empresa, Kassia Kiss Firmino Dourado. A especialista ainda destacou que as enzimas são cuidadosamente selecionadas pelo grupo, que é o próprio fabricante das suas matérias-primas.

Outras vantagens ressaltadas por Kassia, no uso dessas enzimas, são: a possibilidade de controle de qualidade no moinho, pela rápida detecção da alteração de falling number, certificação de que a farinha atende às especificações do cliente, além do melhor desempenho de cozimento, que resulta em melhores características visuais e de sabor no pão que será produzido posteriormente.

No campo

A qualidade do produto final, entretanto, começa muito antes, nas lavouras de trigo. E neste cenário, a pesquisa e a ciência também têm contribuído para resultados cada vez melhores. Segundo dados da Embrapa Trigo, apresentados pelo chefe geral, Jorge Lemanski, durante o Moatrigo Meeting, em 1977, a produtividade nacional de trigo era de 800 kg por hectare, em 2011, foi possível chegar a 1.800 kg/ha, já no ano passado chegou 8.542 kg de trigo por hectare.

“O Brasil tem água, terra, produtor, infraestrutura moageira, cadeia estruturada, e isso reverte evidentemente para segurança alimentar. E as boas práticas agronômicas seguramente levam a um saldo positivo de gerar bem-estar à nação brasileira”, afirmou o chefe-geral. Entre os desafios da cultura que trazem um entrave para a sua expansão, Lemainski destacou as doenças brusone e giberela e também materiais com intolerância à seca.

O membro da comissão de grãos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ivo Arnt, que também participou do debate, reiterou que o trigo tem evoluído muito, com o surgimento de boa cultivares, permitindo boas produtividades e qualidade que atende aos moinhos. “Temos observado boas lavouras de trigo no centro oeste e norte, nas áreas altas, com maior altitude. Com isso diminui um pouco o que se comentou a respeito de doenças. Não estamos mais naquelas regiões observando tanta doença como a giberela, que é um grande ponto para as micotoxinas. Essa é a nossa avaliação como produtor, de se Deus quiser termos uma boa safra para oferecer um bom trigo para nosso país”, complementou.

Outro aspecto destacado pelos profissionais do setor foi a saudabilidade dos alimentos oferecidos no mercado. “Os consumidores estão cada vez mais exigentes, consumidores e indústria também. Então é preciso mapear, conhecer a matéria-prima, para garantir um produto saudável para os nossos clientes”, defendeu o coordenador da Câmara Técnica da Abitrigo, Carlos Augusto.

Para conhecer essa matéria-prima e garantir essa saudabilidade, a questão da rastreabilidade é de extrema importância e já tem sido aplicada pela indústria. O consultor da ABIMAPI, Luiz Caetano, contou, durante o evento, que a entidade está realizando, junto aos seus associados, algumas pesquisas, que ainda estão em andamento. Entretanto, alguns resultados já puderam ser observados. “Perguntamos para as empresas se elas aplicavam algum tipo de rastreabilidade e ou controle sobre defensivos e também especificação técnica de produtos e a maioria respondeu que tem rastreabilidade e também algumas vezes exigem os laudos”, disse.

Próxima edição

Ao final do evento, o presidente do Sinditrigo|PR, Daniel Kümmel, confirmou a próxima edição do encontro para outubro. O evento será realizado 19/10, às 10h, com transmissão ao vivo pelo Youtube e Facebook do sindicato. Para acessar os debates anteriores deste ano, clique aqui. Mais informações sobre o fórum devem ser solicitadas por meio dos contatos oficiais da entidade: (41) 99168 9696 e contato@sinditrigopr.com.br.

Assista na íntegra