Safra, regulamentação e frete dominam debate

25º Congresso Internacional da Indústria do Trigo reuniu industriais e analistas em Foz do Iguaçu num momento crítico para o mercado

Os associados da Abitrigo se reuniram dos dias 23 a 25 de setembro, em Foz do Iguaçu, para debater o presente e o futuro de um mercado importante para o país. Resultados da safra 2018, o futuro da produção e o momento das exportações agrícolas foram alguns dos temas em pauta no 25º Congresso Internacional da Indústria do Trigo.

Questões mais técnicas também entraram em discussão, como a regulamentação da rotulagem, o uso de defensivos agrícolas e o tabelamento do frete, bem como o impacto do cenário político na cadeia produtiva e na economia do país. Com moderação de Daniel Kümmel, presidente do Sinditrigo do Estado do Paraná, a mesa redonda intitulada “A Conjuntura do Trigo no Brasil” contou com Alexandre de Barros, Sócio da MB Agro, Hamilton Jardim, presidente da Comissão do Trigo da FARSUL, João Carlos Veríssimo, CEO do Moinho Paulista, representando a Indústria Moageira e José Maria dos Anjos, diretor de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura (MAPA).

Outro tema de bastante relevância para o setor foi a questão da sustentabilidade e as mudanças dos hábitos alimentares, painel que contou com apresentação da vice-presidente do Sinditrigo, Paloma Benghi Venturelli Cardoso. Já a regulamentação e as consequentes adaptações impostas ao setor foram abordadas em painel com mediação do presidente do Sindustrigo, de São Paulo, Christian Saigh.

A necessidade de as análises do setor levarem em conta o longo prazo foi considerada premente pelos participantes. João Dornellas, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, destacou a importância do setor, que tem 10% de participação no PIB do país e gera 1,6 milhão de empregos diretos. Os desafios do ramo alimentício também foram parte importante dos debates. O impacto do tabelamento de frete rodoviário e como ele afeta o setor agrícola foi abordado por Claudio Graeff, presidente do comitê de logística e competitividade da Associação Brasileira do Agronegócio. Já Juliana Ribeiro Alexandre, chefe da divisão de Análise de Risco de Pragas do MAPA, trouxe um alerta em relação à importância das exigências fitossanitárias para o controle de pragas em grãos, tanto na exportação quanto na importação. “As normas são imprescindíveis para a proteção da vida vegetal. Elas protegem a cadeia produtiva e evitam a contaminação, a disseminação de pestes e doenças no território nacional e contribuem para a preservação da saúde humana e dos rebanhos”, declarou.

Na foto acima, Paloma Venturelli do Moinho Globo, moderadora do painel.

No painel “Semeando nosso futuro”, com mediação do diretor da moageira Irati Marcelo Vosnika, os cofundadores da AAA Academy Alan Costa e Arthur Igreja e o gerente de agronegócios e alimentos da FINEP André Fernandes abordaram a importância da inovação, destacando que as transformações do mercado ocorrem aos poucos, mas requerem disciplina e constância. Igreja acrescentou que, ao contrário do que se costuma pensar, a tecnologia não destrói mercados, apenas muda a forma de atuação, que se torna mais rápida a cada ano. “Toda a indústria de alimentos é absolutamente eterna.”